3 de mar. de 2015

Saída á francesa


Pois bem, o assunto do momento é a saída de Graça Foster da Petrobras, provavelmente para não virar máscara de Carnaval. Cerveró que o diga, pegou até ar com a história de criarem uma máscara dele. Máscaras a parte, o fato é que a senhora Graça, saiu de fininho (acho que é isso) pela porta dos fundos, ou como queiram, à francesa.

 Não faço juízo de valor aqui, nem entro no mérito de dizer que ela é culpada ou inocente, afinal, quem é inocente? Eu, certamente não, nem o Topogigo, muito menos o Chaguinha, nossos amigos de sempre. O que não entende Seu Manel, o senhor que vende salgados na rua, é porque não tiram esse pessoal todo e coloca uns novos, gente que não tem ligação com os envolvidos nesses esquemas? Na verdade, eu também me questiono quanto a isso. Por quê? Ó céus!

  E não adianta tirar nove das dez laranjas podres, porque uma única laranja contamina toda a cesta. E o nome da laranja da vez é José Eduardo de Barros Dutra, eu ainda prefiro a laranja lima, mas cada um com suas preferências. E a comparação é estritamente figurativa, para que não penses que estou chamando, o honrado senhor, Eduardo de Barros Dutra de laranja. Porque eu diria isso, afinal de quem ele poderia ser laranja? Enfim, vão-se as laranjas ficam os bagaços. Na comparação, completamente figurativa insisto, a laranja é a Petrobras, e o bagaço é o que eles deixaram. Não há como ligar o ex-presidente do PT a nada disso. 


  Ora, só porque 99,9999999% dos petistas dentro da Petrobras estavam envolvidos com corrupção, não significa que o Dutra esteja envolvido também, Seu Manel discordaria de mim, mas oque é que ele pode saber disso? Seu Manel já participou do MST meus amiguinhos, sim senhor, e o que ele conta sobre lá, só me dá mais certeza que o que eles menos precisam é de terra. Seu Manel mesmo, que não sabe mentir e não gosta de omitir, disse que jamais plantou um pé de cana na vida ou capinou lote, só ia mesmo porque tinha esperança de ganhar alguma coisa do “Lula”.
Seu Manel disse que assim que o Lula saiu da presidência ele deixou os “Sem Terra”, nas palavras dele porque “aquela macho-fêmea sabe nem falar”.

;">Com a saída de Graça e a entrada do Bendine, que, aliás, entrou de gaiato na história, já que ninguém quis pegar o bagaço deixado por Foster. Assumir uma empresa como a Petrobras, na situação em que está, é como pegar time recém-saído da segunda divisão e fazê-lo campeão da Série A.

2 de jul. de 2014

Pouco pão, muito circo e dois dedos de água

Ah, a Copa do |Mundo! Que maravilha! Os jornais não noticiam mais medidas do Congresso, mandos e desmandos do governo, nem falcatruas que acontecem nos quatro cantos do país. Tudo são flores e vinho tinto, ou, abrasileirando as coisas, flores e caipirinha. Está tudo as mil maravilhas no país da copa. Alegria, alegria, alegria... Mas esperem!!!
 Os impostos continuam levando SEIS MESES do nosso trabalho, o governo continua dando nosso dinheiro para tentar fazer nos últimos meses o que ele não fez em quatro anos de mandato. E, continuamos mudos e estáticos diante de toda a roubalheira que nossos governantes protagonizam. Infelizmente, o ópio do povo, aqui no Brasil, além da religião, é também o futebol. Felizmente, ou não, não me viciei nessa droga, tão letal e nociva aos nossos cérebros e espíritos, e consigo enxergar com bastante nitidez o que está se apresentando á nossa frente.
 Realmente, o drogado não possui nem os meios nem a vontade para ver além das alucinações provocadas por sua droga. Enxergam, a bem dizer da verdade (como diria o coronel/lobisomem), apenas aquilo que querem, vêem aquilo que lhes agrada, ouvem aquilo que lhes aprouvem (vide dicionário Aurélio) e são dirigidos como ovelhas para o abate.
 O pouco pão, a qual me refiro no título deste desabafo da meia-noite ( na verdade já passa de 1 da madruga!), não é o pão necessariamente falando, não apenas ele, mas ele também. Me refiro ao preço dos alimentos, que continua a preocupar as donas e donos de casa, quando os mesmos saem para suas compras do mês. Não que eu tenha pesquisado, analisado números ou estatísticas, digo isso apenas por minha experiência própria, e muita das vezes, nossas experiências são mais reveladoras que qualquer pesquisa de preços. O mínimo que o ser humano precisa pra sobreviver, o vital para garantir sua existência, está ficando cada dia mais caro, isso sem falar em outros itens, como por exemplo, os eletrodomésticos, os têxteis e tantos outros. Aí você vem me dizer :
 - ah, ainda bem que o IPI dos carros continua reduzido
E aí meus amiguinhos, tenho que demonstrar minha sincera e profunda descrença, pois o IPI reduzido continua até que dia? 31 de dezembro, parece até piada, enquanto houver governo PT vai haver IPI reduzido, a mensagem á população é clara. Mas a estratégia do nosso amiguinho Guido Mantega, é tão inteligente quanto ás estratégias adotadas anos atrás por nosso Marechal Deodoro da Fonseca que culminaram no famoso Encilhamento. Pois bem, agora que o IPI está reduzido, é previsível que os brasileiros comprem mais carros, que a industria cresça e se fortaleça, mas e depois? Depois, ficará na conta do Julio César, meu amigo, por ter dado poder ao vil metal. As empresas começarão a ficar com os estoques cheios e o brasileiro, com o IPI aumentando, vai deixar de comprar os carros. Simples não?
 Infelizmente, nosso amigo ministro, não enxerga a obviedade da situação, assim como o pessoal de Minas e Energia não viu que a baixa nos preços da conta de energia, medida extremamente popular, causaria um aumento expressivo nos preços, quando as hidrelétricas estivessem sem seu combustível principal em alta, A ÁGUA. E aqui chegamos, ao final do titulo, os dois dedos de água que mencionei.



Algumas semanas antes das emissoras de TV entregarem o ópio ao povo, estavam as mesmas, noticiando a estiagem histórica em São Paulo, que deixou o Sistema Cantareira com uma retirada de 64% a mais do esperado, além disso, a nossa Copa do Mundo, trouxe milhares de turistas para São Paulo, nos cinco jogos que foram realizados lá, o que agravou ainda mais a situação do Cantareira. Estudos da PCJ ( Consórcio intermunicipal das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) apontam que o volume útil do Cantareira chegará a zero entre os dias 7 e 8 de julho, e aí meu amigo, a coisa vai ficar bem feia. Sorte nossa que temos MUITO CIRCO, no caso, muita copa, para esquecermos dos problemas reais do Brasil. O principal problema do nosso país, atualmente, é saber se o Neymar vai estar 100% no próximo jogo.  
















ILUMINA.ORG  Não costumo colocar um link sozinho nessa parte, mas para quem quiser entender um pouco mais sobre a futura crise ENERGÉTICA que o país vai enfrentar, segue o link.

31 de mar. de 2014

Da falta do que fazer , você nana nênê, ou de como é difícil ter blog de sucesso.

 Pois bem, caros amigos, escrevo essas mal traçadas linhas, a priori por não ter mais o que fazer e a insônia intermitente que jamais me deixa dormir a noite, e que me dá um eterno sono de dia, fazendo com que considere a profissão de guarda noturno algo viável. Divagações são péssimas em blogs, mas que fazer se aprendi a ler com Machado de Assis? Enfim, esse é o estilo de escrever de seu amigo, Topogigo das Neves, quem gostar que fique, quem não gostar... que deixe-se estar calado, mas ainda assim compareça ao debate.

5 de mar. de 2013

Primeiro Nós


                                                               Primeiro nós
 A questão dos direitos dos animais, é uma questão que exige bastante atenção, principalmente, se tivermos em mente, nós mesmos. Os animais merecem respeito, lógico, programas para que não entrem em extinção, são essenciais, vitais ao planeta, não podemos, no entanto, esquecermos da nossa própria espécie.
 Já existem diversas leis para garantir a segurança dos animais, enquanto que nossas próprias leis, não garantem, efetivamente, nossa segurança, muito pelo contrário, apenas criam brechas para que pessoas mais “bem relacionadas” consigam viver impunemente. As leis de proteção aos animais foram elaboradas, criticadas e analisadas, tendo em vista diversas partes, o problema não é a criação de leis para os animais, mas sim, aplicá-las, fiscalizá-las, coisa que não ocorre nem mesmo nas leis “humanas”.
 Um olhar mais apurado para a questão humanitária, e veremos milhares de pessoas passando fome, sobretudo em países subdesenvolvidos, enquanto que nesses mesmos países, programas como o Greenpeace, aparecem para defender os animais, e salvar essa ou aquela espécie, esquecem-se, no entanto, de sua própria espécie.
 Devemos sim, proteger e cuidar dos animais, criar leis e projetos ambientais que preservem sua existência, mas não devemos nos esquecer da espécie humana, do homem que sabe que sabe. Assim, também vemos na natureza, o leão protege os seus semelhantes, e podemos ver a atitude de preservação da espécie em diversos grupos de animais, como também podemos ver na nossa espécie, por enquanto.

2012

26 de fev. de 2013

Born Into Brothels

Born Into Brothels, ou, traduzindo a grosso modo, nascidos em bordéis, é um documentário que mostra a realidade das crianças indianas que são filhas de prostitutas e vivem em regime de extrema pobreza. A vida dessas crianças parece mudar quando chega uma jornalista e lhe entrega câmeras para que fotografem tudo o que virem pela frente... Deixo com vocês a primeira parte do mesmo. Todas as partes estão no Youtube, basta acessar por ele.

Formigas Pintadas


O cientista Dr. Mohamed Babu de 53 anos que vive em Mysore, Índia, foi alertado pelo fenômeno por ninguém menos que sua esposa. Ela estava observando as formiguinhas enquanto bebiam um leite derramado. Todos os traseiros das pequenininhas (que são normalmente transparentes), acabaram ficando branquinhos.


Dr. Babu então decidiu experimentar o mesmo procedimento, mas com água e açúcar colorido. O resultado vocês podem ver aqui nas imagens abaixo, as formigas alimentadas com os deliciosos líquidos coloridos ficavam com seus "bumbuns" da cor do lanche. Não existe explicação científica para esse acontecimento, foi apenas uma coincidência que um cientista tenha feito a descoberta, totalmente despretensiosa.


O que podemos ver é que o tal Dr. Babu se esforçou mesmo para fazer o experimento. Ele descobriu que as formigas gravitam em torno das cores mais brilhantes e que elas só pegaram as gotas azuis e verde quando as amarelinhas já estavam lotadas de outras formigas. Ele montou o experimento em cima de uma bancada de parafina para que a visualização das bundinhas das formigas ficasse bem clara nas fotos, e ficou né?

Além de tudo isso, ele ainda teve que fotografar vários dias seguidos para conseguir o resultado que pretendia com as imagens, e a quantidade de formigas que formasse um desenho legal para apresentar também.






Tragédia em Santa Maria

O mapa do RS foi marcado com um coração na localização de Santa Maria (Foto: Luiza Carneiro/ G1)


 Voltando ás postagens regulares no nosso blog, hoje para discorrer sobre a tragédia em Santa Maria. Provavelmente você já sabe sobre o quê estamos falando(?), se não sabe clique aqui.
 Primeiramente desejo elucidar apenas que esse artigo não é uma matéria jornalística, mas antes, um texto dissertativo. Não temos aqui a pretensão de informar ao leitor sobre o caso, até porque isso já foi feito, diga-se de passagem, exaustivamente pela mídia brasileira. Iremos aqui expor opiniões sobre o episódio e sobre a mídia em si, não sobre o fato, que, apenas para deixar um parêntese, foi lamentável.


Remediar

 Muito se tem dito e questionado á respeito da tragédia que ocorreu em  Santa Maria no RS, todos os detalhes da tragédia foram expostos nos últimos dias na TV e em todos os veículos de comunicação do Brasil e também no exterior. O governo agora está fechando diversos estabelecimentos que oferecem riscos á população, que não possuam meios de assegurar a integridade dos mesmos em caso de incêndio, etc. Não que isso seja errado, muito pelo contrário, esse tipo de ação garante que não se façam novas vítimas como as de Santa Maria, o que eu questiono aqui é a mentalidade remediativa do povo brasileiro, sobretudo de seus representantes constitucionais. 
 Apenas agora que o assunto virou manchete em escala global( mais sobre isso no próximo texto) é que o governo resolveu agir, fechando estabelecimentos que antes não eram dados nenhuma atenção, e que, por vezes, estavam em condições bem piores que o da boate Kiss.
 Não adianta chorar sobre leite derramado.
 Esse é o nosso pacato e roubado país, como diria nosso amigo Chaguinha. Aliás é dele nosso próximo texto.   
Atenciosamente, 
Topogigo das Neves.

A merda da mídia 
 Carolismos á parte, até que gostei do texto do nosso amigo de sempre Topogigo das Neves. Falta-lhe decerto alguma veia de fúria, própria dos gênios fortes, como o meu, modéstia a parte.
 É, tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, mas realmente? A mídia brasileira parece ser muito seletiva em certos momentos. Um exemplo disso é o fato dela ter dado tanta ênfase a esse desastre, claro, horrível. Mas vamos por os pingos nos iis( preciso modificar essas palavras): É bem verdade que tudo o que aconteceu merece mídia nacional, ok ok. Não estou indo contrário a isso. O que acontece é que, para dar nomes aos  bois, a Globo coloca determinado fato na programação, nesse momento todas as outras emissoras correm atrás da mesma notícia, aí não vai importar o canal que você coloque, você vai ter sempre a mesma informação. 
 Todos nós sabemos como funciona a televisão, sempre em busca do que der mais audiência, e o que é que dá mais audiência que desastres? O carnaval é claro. E então o que dizer de desastres durante o carnaval? Teoricamente daria muito mais audiência. Mas o que vemos são tímidas notas sobre o caso . Agora me pergunte porquê. Pergunte, pode perguntar caro leitor. Pergunte porra!!!!
 Na verdade o assunto ficou quase que abafado, porque isso faria com que o carnaval fosse visto com maus olhos e tudo o mais, e isso a Globo não quer, jamais, ou jamê, como diriam os franceses de la Mercedita. Aí a Globo não noticiou o fato, as outras emissoras também não demonstraram interesse. O que acontece no Brasil é isso mesmo, a Globo faz a notícia e as outras emissoras contam a mesma história com outras palavras. Isso é que é jornalismo parasita.
 E quem é que perde com tudo isso? O povo obviamente, que se vê alienado por programas como BBB, novelas que eles nem gostam mas assistem para ter o que conversar com os colegas de serviço. Não assistir BBB hoje é fator de exclusão social. Em que ponto fomos chegar hein. Que país é esse? 
 do seu amigo de sempre, Chaguinha.

















27 de nov. de 2012

Uma saída de mestre

O Caso do Saci-Pererê

Seria cômico se não fosse trágico, a história do saci-pererê da vida real:



Situação macabra. Por causa de drogas, uma mãe acorrentou o filho, de 21 anos, em Manaus (AM), mas ele conseguiu fugir serrando o pé, e saiu em busca de drogas igual um Saci-Pererê.
A mãe está tentando internar o filho há 8 anos, mas não encontra vagas. "O descaso é tão grande, que não existe sequer as vagas, e os dependentes químicos que não tem dinheiro estão soltos e largados pelo mundo", disse.
Depois de ter serrado o pé, o jovem foi visto fumando um cachimbo, de boné vermelho, e acabou ganhando o apelido de Saci entre os colegas.
   
Para ver a matéria completa, e outras igualmente interessantes clique no Saci aí em cima ou aqui

Pegadinha do Silvio Santos que virou febre internacional

Postagem de última hora, á pedido de vários leitores do blog, iremos colocar aqui o vídeo que está fazendo sucesso no mundo inteiro. É uma pegadinha do Silvio Santos. Saiu matéria inclusive na Veja falando sobre o sucesso da pegadinha, tá certo que a revista Veja hoje em dia fala até sobre Nana Gouvêia pra atrair o público, mas ... aí está o vídeo:

24 de nov. de 2012

El Terror En Chavo

Existem muitos sites\blogs, que gostam de se categorizar como aterrorizantes, que metem medo nas pessoas, e pá e tal... (linguagem das favela mano) hoje resolvi entrar em vários desses sites\blogs, para ver se realmente metiam medo nas pessoas, em mim, pessoalmente, não meteu, já digo de cara, e olha que o momento era propício, pois comecei umas 3:00 que é, segundo a lenda, o horário em que os espíritos zombam de Jesus e vem á terra para nos amedrontar, talvez com o horário de verão eles tenham se confundido um pouco, sei lá, não entendo muito de demônios. Ainda assim entrei nesses sítios, e o conteúdo dos mesmos me fez mais rir do que me apavorar, coisas sobre a verdade oculta da turma da Mônica, Bob Sponja macabro, foram as que me fizeram rir mais, mas nada se comparou ao terror do Chave, posto abaixo o que vinha escrito no site :





Sartre escreveu em sua famosa peça “Entre Quatro Paredes”, de 1945, que “o inferno são os outros”. Não existe uma definição universalmente aceita sobre o conceito de in­ferno na tradição teológica oci­dental.

Segundo o historiador Jean Delumeau, no livro “Entrevistas Sobre o Fim dos Tempos”, o catolicismo tradicional, apoiando-se em Santo Agostinho, apregoava a “existência de um lugar de sofrimento eterno para aqueles que tiverem praticado um mal considerável nessa vida e dele jamais se tenha arrependido”. Essa noção, um tanto incongruente com a imagem de um

Deus misericordioso, não prosperou fora do imaginário po­pular, sendo substituída pela so­lução do Purgatório, desenvolvida no século II, sobretudo, por Orígenas. Nin­guém mais estaria condenado para sempre, embora, excetuando-se os santos, todos tivessem que passar por um período variável de purificação, com a garantia da salvação ao final.

Santo Irineu discordava. Para ele, “os pecadores confirmados, obstinados, se apartaram de Deus, também se apartaram da vida”.

Portanto, após o julgamento final, os condenados seriam simplesmente apagados da existência.

A polêmica continuou pelos séculos dos séculos, com novos debatedores:

Tomás de Aquino, Lutero, Joaquim de Fiore. Na literatura, Dante e Milton criaram visões poderosas do inferno. O trio de condenados de Sartre, os cenobitas sadosmasoquistas de Clive Barker e os pecadores amaldiçoados de Roberto Bolaños são recriações contemporâneas perturbadoras.

Sim, Roberto Bolaños. Não, não se trata do falecido ficcionista chileno Roberto Bolaño (1953–2003), autor do calhamaço “2666”. O Bolaños com S é um artista infinitamente superior. Refiro-me ao ator, escritor e diretor mexicano Roberto Gómez Bolaños, apelidado, num exagero quase perdoável, de Chespirito, ou “Pequeno Shakespeare” à mexicana. Ele é o criador de uma das mais sutis, brilhantes e temíveis representações do inferno em qualquer das artes: o seriado “Chaves”. Se, conforme ensinou Baudelaire, “a maior artimanha do demônio é convencer-nos de que ele não existe”, podemos concluir que esse mesmo demônio não iria apresentar seus domínios por meio de estereótipos: escuridão, chamas, tridentes,  lava. Em “Chaves”, verdadeiramente, “o inferno são os outros”.

Bolaños encheu sua criação de sinais que devem ser decodificados para  que se revele seu verdadeiro sentido de auto moralizante. O primeiro e mais importante é o título.

Originalmente, o seriado chama-se “El Chavo Del Ocho”, ou traduzindo do espanhol: “O Moleque do Oito”. Ninguém sabe o verdadeiro nome do protagonista, que nunca foi pronunciado. Cha­mam-no apenas de “Moleque”. O nome próprio Chaves é uma adaptação brasileira, uma corruptela da palavra “chavo”. É certo que um “chavo”, ou “moleque”, é quem faz molecagens; quem subverte a ordem do que seria moral e socialmente aceito como correto. Em livre interpretação, o “moleque” é um pecador. Portanto, o seriado trata de pecados. Não de pecados mortais, pois do contrário dificilmente seus personagens gerariam simpatia, mas, com certeza, de pecados capitais.

Ao contrário do que muitos acreditam, o protagonista não mora em um barril, mas na casa número 8. Sendo órfão e morador de rua, foi recolhido por uma idosa, que jamais foi mostrada; e que talvez não exista. Se existir é a morte materializada, pois habita o 8. Basta deitar o numeral 8 que obtemos o símbolo do infinito. A morte é infinita, pois não há vida antes da vida e após a vida volta-se a condição anterior. A vida pode ser medida pelo tempo, o antes e o depois é, por definição, infinito. O nada infinito, a graça infinita ou a purgação infinita.

Essa vila do “8” nada mais é do que um pedaço do Inferno, especialmente preparado para receber seus hospedes, mortos e condenados no julgamento final. Uma variação cômica de “Entre Quatros Paredes”, onde duas mulheres e um homem (além de um mordomo… mas o comunista Sartre não considerou o representante da classe proletária um personagem pleno) são obrigados a se suportarem mutuamente pela eternidade, num ciclo infindável de acusações e violência. Não é difícil imaginar a cena:

Chiquinha chuta a canela de Quico e faz seu pai pensar que o menino foi o agressor, enervado Seu Madruga belisca Quico, que chama Dona Florinda, que acerta um tapa no vizinho gentalha, que descarrega a raiva no Moleque, que atinge o Seu Barriga quando ele chega para cobrar o aluguel. Enquanto isso, o professor Girafales, queimando de desejo, bebe café, com um buquê de rosas no colo, sem desconfiar a causa, motivo, razão ou circunstância de tanta repetição.

O cenário é um labirinto rizomático, sem centro, começo nem fim. Saindo da vila caem em uma rua estreita que leva a um pequeno parque, um  restaurante e uma apertada sala de aula.

As variações, como Acapulco, são exceções que confirmam a regra. O universo dos personagens se resume a esse espaço claustrofóbico, onde um ambiente leva a outro que leva a outro que leva a outro, indefinidamente.

Os pecados que cometeram em vida transparecem em suas características, medos e frustrações. Chaves, o Moleque, sempre faminto, cometia o pecado da gula. Glutão inveterado, sua preferência por sanduiche de presunto indica desprezo pelas leis de Deus, que proibiu o consumo de porco, esse animal sujo e de pé fendido. Inimigo de qualquer autoridade moral, apelidou seu professor de “Mestre Linguiça”, outra referência a malfadada iguaria suína.

Seu Madruga, que têm muito trabalho para continuar sem trabalhar, cometia o pecado da preguiça. Exigem redobrados esforços suas estratégias de fuga, para não pagar os indefectíveis 14 meses de aluguel. Que nunca se tornam 15 meses, denotando que a passagem do tempo está suspensa. Não é necessário lembrar que 7 + 7 é igual a 14 e que, na tradição crística, 70 x 07 simboliza o infinito. Da mesma forma que o 8, o símbolo de adição deitado torna-se o de multiplicação. Deus mora nos detalhes.

A ganância de Seu Barriga é óbvia. Quem mais cobraria o aluguel mensal praticamente todos os dias? Os golpes que o Moleque lhe aplica sempre que chega a vila faz parte de sua punição.

O fato de possuir como veículo uma Brasília amarela liga-o imediatamente ao país Brasil,  indicando que em vida deve ter se envolvido em escândalos de corrupção. Terry Gilliam não escolhe títulos ao acaso.

O pequeno marinheiro Quico, o menino mais rico da vila, é movido pela inveja. Sempre que vê um de seus pobres vizinhos se divertindo com um surrado brinquedo, cobiça aquela alegria simplória e vai buscar um dos seus, sempre maior e melhor, mas que nunca lhe dá satisfação.

O brinquedo do outro, mesmo sendo obviamente inferior, sempre lhe parece mais interessante. Um círculo vicioso de inveja, jamais saciada.

Chiquinha é marcada pela personalidade intolerante, raivosa. Imitando o Pateta, usava o automóvel como uma arma potencializadora de sua ira. Morrendo em uma briga de trânsito, na vila, tenta fazer o mesmo com o triciclo. Não foram poucas as vezes que atropelou pés e brinquedos. Mas a musa que canta a ira do poderoso Aquiles não se ocupa da ira insignificante de Francisquinha. Sendo a menor e fisicamente mais fraca da vila, só lhe resta chorar, chorar e chorar.

Dona Florinda e o Pro­fessor Girafales foram libertinos do porte do Marquês de Sade e Messalina (ou os próprios). Mestres na arte da luxúria, acabaram condenados a eternidade de abstinência sexual. Frigidae impotente, a mente almeja, mas o corpo não acompanha. Consomem infindáveis xícaras de café que, com propriedades estimulantes, alimentam ainda mais o fogo que não podem debelar. O professor Girafalesfuma em sala de aula não porque “El Chavo Del Ocho” foi gravado antes da praga politicamente correta, mas devido ao fato dele ser portador do célebre cacoete pós-coito de acender um cigarro, fazer um aro de fumaça no ar e perguntar “foi bom para você?”. Incapaz de cumprir a primeira parte do ritual erótico, involuntariamente reproduz a segunda. Não por acaso, a trilha sonoro de seus encontros é a mesma de “… E o Vento Levou”. A frase final do filme é “amanhã será outro dia”. Na vila, sempre haverá outro dia e outra xícara de café.

Dona Clotilde, a bruxa do 71, padecia de extrema vaidade. O gênio de Bolaños teve a sutileza de convidar uma ex-miss, a espanhola Angelines Fernández, para interpretar a personagem. Novamente o signo de uma condenação eterna aparece: 71 nada mais é do que 7+1=8. O animal de estimação de Dona Clotilde, significativamente chamado de Satanás, chama atenção para outro elemento importante. A presença de diversos demônios errantes na vila. Trata-se de uma besta transmorfa. Em alguns episódios satanás é um gato, em outros um cão. Diferente do paradoxo do  coelho-pato de Jastrow, Wittgenstein e Thomas Kuhn, que servia ao desenvolvimento da razão, o gato-cão é uma representação do misticismo, o cão em “pessoa”.

 Em 1589 o teólogo Peter Binsfeld, no livro “Binsfeld’s Classification of Demons”, estabeleceu que cada um dos sete pecados capitais possui um patrono infernal. Sintoma­tica­mente, Lúcifer, nome pelo qual muitos chamam satanás, gera a vaidade. Os outros são Asmodeu que gera a luxúria, Belzebu a gula, Mammon a ganância, Belphegor a preguiça, Azazel a ira e Leviatã a inveja. Não nos enganemos: eles rondam a vila. Aparecem circunstancialmente, para promover desordem, dor e tentação.

Se o gato-cão Lúcifer/Satanás ajuda a difundir o boato de que Dona Clotilde é uma bruxa, me parece óbvio que a bela menina Paty e sua tia Glória são Belzebu e Belphegor metamorfoseados em súcubos, demônio  sexuais femininos, prontos para atiçar outros apetites no Moleque e tirar Seu Madruga de seu estado de letargia. Por sua vez, o galã de novelas Hector Bonilla, que visitou a vila, nada mais é do que Asmodeu na forma de um íncubo, demônio sexual masculino, com a missão de tumultuar a relação do casal de libertinos castrados. Nhonho é Mammon, instigando o pai avaro a gastar. Popis é Azazel, esmerando-se em despertar a ira de Chiquinha com sua futilidade enervante. Godinez é Leviatã atiçando a inveja de Quico, com suas respostas tão certeiras quanto involuntárias ao Mestre Linguiça. Figuras de pouca relevância como Dona Neves, Seu Furtado, os jogadores de ioiô, os alunos anônimos na escola, os clientes do restaurante, o pessoal do parque e do festival da boa vizinhança, além de outros coadjuvantes, são entidades demoníacas menores, com a função de criar a ilusão de normalidade.

De fato, os frequentadores da vila parecem inscientes de sua condição. Os adultos por serem alto-centrados. As crianças por estarem duplamente amaldiçoados, regredidos a condição infantil, talvez como espelho da imaturidade emocional que os levaram a conduta pecadora.

Enquanto muitas pessoas sonham em possuir a experiência da maturidade em um corpo jovem, eles mantiveram o corpo que possuíam na hora da morte, mas quase sem nenhuma experiência. Essas são as sutilezas da burocracia infernal.

 O carteiro Jaiminho, em sua função de portador de mensagens, é o único representante do lado de cá. Um médium que tenta fazer contato com essa outra dimensão. Seu constante estado de fadiga é resultado do esforço sobre-humano necessário para cruzar as dimensões. Prova disso é a descrição que Jaiminho dá de sua terra natal, Tangamandápio. A despeito de existir de fato, sendo localizada a noroeste do Estado mexicano de Micho­acán, trata-se de uma alegoria. Se­gundo o carteiro, tudo em Tangamandápio é colossal. Seria maior do que Nova York e teria uma população de muitos milhões de habitantes. O que poderia ser tão grande?

Obviamente, ela não se refere a uma única localidade isolada, mas a todo o planeta; a  terra dos vivos. As cartas que transporta são psicografias e a bicicleta que nunca larga, apesar de não saber andar, nada mais é do que um totem, ao estilo de “A Origem”, necessário para que possa voltar para realidade.

Em “El Chavo Del Ocho”, Bolanõs, o Camus asteca, criou sua própria versão do mito de Sísifo. O Moleque e companhia estão condenados a empurrar inutilmente por uma ladeira íngreme essa imensa pedra chamada cotidiano, que sempre rola de volta, obrigando-os ao tormento do eterno retorno. A pedra de Quico é quadrada, não rola, desliza. É cômico, apesar de trágico.